Animais braquicefálicos – problemas de saúde e cuidados

Animais braquicefálicos são aqueles que possuem o focinho achatado. Conquistam muitos amantes de cachorros pela expressão fofa, e quantidade de pele. Entretanto, o que muitos desconhecem é que estas raças foram desenvolvidas por seres humanos que, através dos cruzamentos ao longo do tempo, provocaram uma deformidade no crânio destes animais. Cães e gatos com estas características anatômicas são predispostos à chamada síndrome braquicefálica

Como explicado anteriormente, um dos grandes fatores que levou à grande incidência de pets que possuem braquicefalia foi a interferência do ser humano na criação de novas raças. Ao atuar como um mediador na reprodução de cães e gatos, o homem passou a selecionar as características que queriam que fossem passadas para as novas raças. Ou seja, nenhuma raça tinha essas características naturalmente. Os seres humanos as foram “criando” de acordo com seus critérios estéticos ou utilitários, como venda e comercialização.

Estas anormalidades incluem narinas estenóticas, palato mole alongado, sáculos laríngeos evertidos, colapso laríngeo e em algumas raças, traquéia hipoplásica. Ou seja, irregularidades que impedem o fluxo de ar através das vias aéreas superiores, causando uma sintomatologia clínica característica: respiração ruidosa, cianose e, em casos mais graves, síncope.

Além disso, o fato do nariz dos braquicefálicos ter sido reduzido ao longo dos anos, prejudicou gravemente o seu funcionamento. Para o cão, a redução drástica da respiração nasal significa a perda do seu principal órgão termorregulador. Isso impede que liberte o calor corporal em quantidade suficiente, levando a um aumento da temperatura corporal interna, passível de produzir colapso e morte. É por estes motivos que companhias aéreas não costumam aceitar embarque com cães braquicefálicos.

Características dos animais braquicefálicos

  • Crânio largo
  • Rosto achatado
  • Focinho curto em comparação com os outros cães
  • Ossos nasais mais curtos
  • Narinas muito pequenas

Raças Braquicefálicas

Raças caninas: Boston terrier; Boxer; Buldogue inglês; Buldogue francês; Lhasa Apso; Mastiff; Mastim Napolitano; Pequinês; Pug; Shih Tzu.

Raças felinas: Persa, Burmês, Exótico e Himalaio.

Síndrome Braquicefálica – quais são os principais distúrbios?

Síndrome braquicefálica é o termo que abrange uma série de distúrbios respiratórios comuns em animais com focinho achatado.

Estenose das narinas

Estenose das narinas, ou simplesmente estreitamento das narinas, é um dos fatores que provocam problemas respiratórios em cães braquicefálicos. Pode ocasionar importantes alterações respiratórias, já que a passagem de ar fica prejudicada por causa do estreitamento, tornando-se necessário um esforço inspiratório exagerado, resultando em dispneia leve à intensa.

Os animais acometidos por esta síndrome apresentam sintomatologia variável de acordo com o grau de obstrução, tendo como sinais clínicos respiração ruidosa, estertores, cianose em mucosas e casos mais graves podem ter episódios de síncope.

O diagnóstico dessa síndrome pode ser feito com base nos sinais clínicos apresentados pelo paciente, histórico clínico de obstrução das vias aéreas, predisposição racial, aspecto visual das narinas e do palato mole longo. O tratamento dos pacientes acometidos com esta síndrome é cirúrgico, tendo como objetivo desobstruir as vias aéreas superiores.

Palato alongado

Todos os cães braquicefálicos tem o palato mole alongado. Porém, em uma parcela deles, este alongamento causa mal estar e diminui a qualidade de vida, promovendo ronco, falta de ar e desmaios. Isso acontece por que a entrada da porção alongada do palato mole na laringe, durante a inspiração, interfere no movimento de passagem do ar para a traqueia. Quando ocorre a estenose de vias aéreas, a severidade da dispneia aumenta, pois a resistência do ar causada por este estreitamento reduz a passagem de ar.

Cães com palato alongado podem apresentar “espirros em reverso”, uma inalação rápida e repetida forçada através do nariz, acompanhada de sons de engasgo e ronco usados para limpar o palato de muco.

Em geral, o animal com este problema pode engasgar facilmente, apresentar vômitos, dificuldade de deglutição, ruídos respiratórios, baixa tolerância ao exercício e, ocasionalmente, falta de ar. Casos mais severos, entretanto, podem incluir desmaios com ou sem cianose. Os sinais podem piorar principalmente durante o estresse, cansaço, no aumento da atividade física e em temperaturas elevadas. Por se tratar de um problema congênito, os sintomas podem se manifestar no animal ainda jovem. A correção do prolongamento de palato pode ser feito cirurgicamente.

Hipoplasia traqueal

A traquéia do cão ou gato braquicefálico pode ser mais estreita em alguns pontos. Por este motivo, o risco anestésico é maior do que o normal nessas raças. A anestesia indicada para animais braquicefálicos é, portanto, a inalatória, já que o processo anestésico pode ser interrompido a qualquer momento pelo veterinário anestesista, diminuindo muito os riscos.

Hipertermia

Para o cão, a redução drástica da respiração nasal significa a perda do seu principal órgão termorregulador, impedindo-o de libertar o calor corporal em quantidade suficiente. Isso pode levar a um aumento da temperatura corporal interna, o que pode, por sua vez, induzir colapso e morte. Este problema torna-se particularmente frequente em cães já que os proprietários costumam leva-los para passear. Portanto estão mais sujeitos a ficar em carros ou acompanhar seus donos em algum passeio em um dia muito quente.

Cães braquicefálicos são, portanto, os principais candidatos a sofrerem “ataques de calor”. Por isso, o tutor de um cão destas raças deve tomar cuidado a fim de não deixar o cão ficar muito acima do peso ou fechado em ambientes abafados nos climas mais quentes.

Outros problemas frequentes em animais braquicefálicos:

Úlcera de Córnea

Por causa de sua anatomia peculiar, animais braquicefálicos estão mais predispostos a terem Úlcera de Córnea. Isso acontece por causa do achatamento do focinho que leva leva a protusão ocular. Ou seja, os olhos ficam mais à superfície, mais expostos a ficarem secos ou a sofrer ulcerações. Em casos graves, as pálpebras são incapazes de fechar e lubrificar os olhos.

Intertrigo

Intertrigo nada mais é que uma dermatite causada pelo atrito das dobras cutâneas, tão comuns nos pets braquicefálicos. O principal ponto acometido nestes animais é de fato o focinho já que a face é cheia de pregas. O atrito entre as dobras, a umidade acumulada entre elas, a pouca exposição ao ar e sol destas geram um habitat ideal para proliferação bacteriana.

Doença Periodontal

Animais braquicefálicos costumam ter predisposição à doença periodontal pois tem menos espaço na boca para o mesmo número de dentes de qualquer outro cachosso. Ou seja, como o espaçamento entre os dentes costuma ser menor, facilita o acúmulo de alimento e bactérias entre eles.

A doença periodontal inicia-se por acúmulo de bactérias na superfície dos dentes e progride até os tecidos de sustentação que formam o periodonto, que são gengiva, osso alveolar, cemento e ligamento periodontal. Dependendo do estágio da doença periodontal, esta pode conduzir a conseqüências locais e sistêmicas, como: inflamação e sangramento da gengiva, presença de tártaro, mobilidade dos dentes, salivação excessiva, dentre outras. Além disso, pode levar à perda dos dentes e pode comprometer o coração, pulmão, fígado, rins e outros órgãos vitais.

Cuidados necessários com animais braquicefálicos

-Devido aos problemas desencadeados por suas características anatômicas, os animais braquicefálicos precisam de cuidados especiais.

-Não sujeitar o animal a temperaturas altas ou a situações de exercício ou stress extremo porque poderão originar dificuldades respiratórias.

-Evite o uso de coleiras e puxões, pois além de poder prejudicar a respiração, os olhos poderão sair das orbitas. Prefira, portanto, o peitoral.

-Cuide da higiene das pregas de pele para evitar infecções e inflamações. Deixe o local sempre limpo e seco.

-Dê atenção especial à higiene bucal do seu animal. Não esqueça de fazer consultas periódicas para avaliar a necessidade de limpeza profunda.

-O exercício físico é, certamente, importante para a saúde do animal e evitar a obesidade. Entretanto, quando o cachorro se demonstrar cansado, deixe-o repousar.

-Enfim, evite passear nos horários mais quentes do dia. Além de prejudicar a respiração do animal, poderá provocar queimadura de seus coxins.

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