Obesidade em cães e gatos – como reconhecer e prevenir o problema.

A obesidade em cães e gatos está se tornando, sem dúvida, cada vez mais comum e, se não tratada, pode causar muitos problemas de saúde que podem gerar sofrimento ao animal e custos ao tutor.

O primeiro passo para um tratamento de sucesso é, certamente, o reconhecimento da parte do dono do bichinho. Infelizmente, de fato, muitos não percebem o quanto seu pet está sobrepeso e até mesmo se ofendem caso alguém ouse dizer algo similar.

Caro mãe/pai de pet… não se ofenda se alguém falar isso. O importante é detectar o motivo deste sobrepeso ou obesidade, entender quais são os riscos e, enfim, corrigir o quadro.

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Como saber se meu cão ou gato está com sobrepeso ou obesidade?

Bastante simples. Se seu cão ou gato for de uma raça específica, verifique qual o peso padrão para machos e fêmeas. Se estiver 15-20% superior, temos um problema de obesidade.

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Outra forma de verificar é através das tabelas abaixo:

score corporal obesidadeFonte: Site Petfisio

  • Primeira e segunda linha – animais abaixo do peso ideal. Animais com cerca de 20% abaixo do ideal apresentam costelas e ossos pélvicos muito aparentes, perda de massa muscular, ausência de gordura palpável na caixa torácica.
  • Terceira linha – animais com pesos ideais, ou seja, com costelas, coluna vertebral e ossos pélvicos não visíveis mas facilmente palpáveis. Cintura e dobra abdominal visível.
  • Quarta linha – Pets com sobrepeso. Nestes casos as costelas já ficam dificilmente palpáveis. Há deposito de gordura na base da cauda. Cintura e dobra do abdome ausentes.
  • Quinta linha – Animais obesos, ou seja, que apresentam peso 20% acima do ideal. Nesse caso há depósito abundante de gordura no tórax, espinha e base da cauda. A distensão abdominal é, enfim, bem visível.

Diagnosticando a obesidade:

Primeiramente, o diagnóstico da obesidade deve incluir uma avaliação física e laboratorial para verificar se há presença de edemas, ascite, hipotireoidismo, hiperadrenocorticismo ou diabetes mellitus.

Uma vez descartados estes problemas, o veterinário irá investigar sobre o tipo de alimento fornecido (ração, petiscos, alimentos de consumo humano), frequência de alimentação e atividade física. Por isso, é muito importante falar sempre a verdade ao veterinário.

Quais são as principais causas da obesidade?

A principal causa da obesidade é, certamente, o desequilíbrio entre o consumo e gasto energético. Ou seja, consomem-se mais calorias do que se gastam. Consequentemente, este excesso de calorias é acumulado em forma de gordura produzindo aumento de peso.

Outros fatores:

-Predisposição racial: Algumas raças de cães tem, sem dúvida, mais tendencia do que outras a se tornarem obesas. Entre elas estão o Labrador, Cocker Spaniel e Beagle. Em gatos não há muitas informações sobre predisposições raciais.

-Predisposição genética;

-Sexo: A obesidade é, certamente, mais comum em fêmeas do que em machos;

-Idade: Cães mais velhos são mais predispostos ao aumento de peso;

-Castração;

-Problemas endócrinos: hipotireoidismo ou hiperadrenocorticismo (ou síndrome de Cushing).

Consequências da Obesidade:

Pode-se chamar de sobrepeso quando o animal está com o peso até 15% acima do ideal e de obesidade quando o ultrapassa este valor.

É justamente nesta fase (entre os 15 aos 20%), que os problemas de saúde relacionados ao excesso de peso começam a aparecer, tanto em humanos quanto em cães e gatos.

Animais obesos apresentam maior risco de apresentar problemas crônicos de saúde, como:

-Diabetes Mellitus;

-Problemas Articulares;

-Doenças cardiovasculares e pulmonares;

-Intolerância a execícios;

-Intolerância ao calor (podem ocorrer os chamados “golpes de calor” podendo levar o animal à morte). Esse tipo de problema é particularmente comum em animais braquicefálicos

-Doenças de pele;

-Maior risco em casos de cirurgias e anestesias;

-Diminuição da longevidade.

Tratamento da Obesidade:

O objetivo do tratamento é, sem dúvida, reduzir a reserva de gordura corporal, o que pode ser atingido através da restrição da ingestão energética, aumento do gasto energético, ou a associação dos dois.

O ideal é submeter o pet a um programa de perda de peso que não o faça sentir fome e nem faça perder o tecido corporal magro. O animal deve, portanto, perder peso de forma saudável e as mudanças devem ser visíveis em poucas semanas.

É recomendável que cães percam de 1 a 3% do peso corporal total e gatos de 0,5 a 1%, semanalmente.

O programa de redução de peso deve incluir três aspectos diferentes:

Deixar o pet na cozinha facilita a sabotagem da dieta

1) Mudança de comportamento alimentar:

Hábitos como dar alimentos muito saborosos ao seu pet, restos de comida, dietas energéticas, fornecer frequentemente petiscos para cães (biscoitos e bifinhos) são, com toda a certeza, prejudiciais e devem ser evitados.

Se realmente quer dar um petisco ao seu cachorro, dê palitos de couro pois são pouco calóricos ou palitinhos de cenoura, já que são apreciados por muitos. São facilmente encontrados em pet shops ou em sites como a Americanas ou Submarino.

2) Exercícios:

O aumento da quantidade de exercícios, além de ajudar a regular a ingestão alimentar, contribui diretamente com a perda de peso por intensificar o gasto de calorias.

Exemplos de exercícios para cães:

-Passeios com coleira na rua;

-Agility;

-Natação;

-Brincar com bolinha.

Exemplos de exercícios para felinos:

Gatos saudáveis que passam muito tempo ao ar livre exercitam-se bastante através de caçadas, brincadeiras e exploração territorial. Gatos confinados a ambientes internos, por outro lado, geralmente sofrem de falta de exercício e são mais propensos à obesidade. Veja algumas ideias para exercitar seu bichano:

-Brinquedos caseiros ou comprados em pet shops ajudam a estimular seu gato a se mexer.

-Acenda uma lanterna e deixe seu gato brincar com o feixe de luz sobre o chão e as paredes.

-Deixe seu gato brincar em uma caixa de papelão. Existem muitos vídeos na internet que ensinam a fazer brinquedos para os felinos sem gastar muito! Este é um ótimo exemplo: clique aqui!

-Espalhe alguns petiscos não calóricos ou brinquedos preferidos em lugares diferentes a cada dia (inclusive  no topo de móveis altos).

3) Modificações dietéticas:

É muito importante, enfim, que exista uma restrição calórica para combater a obesidade.

Existem no mercado alimentos específicos com esta finalidade. A principal característica destes alimentos é a baixa densidade energética, concentrações maiores de proteínas de ótima qualidade, fibras solúveis de baixa fermentação (como o psyllium), carboidratos de baixo índice glicêmico e baixo teor de gordura.

Há tutores que preferem a ideia de dar um alimento caseiro. Para isso, recomenda-se, todavia, consultar um veterinário nutricionista para montar uma dieta caseira completa e balanceada para esta finalidade também. 

Muitas pessoas se arriscam a fazer receitas em casa e, mesmo que bem intencionados, sem o devido conhecimento podem acabar prejudicando a saúde do animal.

Manutenção do peso perdido:

Manter o peso pode ser mais desafiador do que o tratamento inicial. Neste momento, de fato, devem-se manter os novos hábitos alimentares, frequência de refeições e rotinas de exercício.

Pode ser alterada a alimentação para uma completa e balanceada de manutenção sempre sob supervisão do médico veterinário e com sua recomendação.

O ideal é, enfim, que as refeições sejam fornecidas duas vezes ao dia.

Como promover emagrecimento e mante o peso ideal:

-> Deve-se desenvolver um programa que permita a perda de peso na ordem de 1 a 3% do peso corporal total;

-> Escolher uma dieta específica para perda de peso;

-> Evitar o fornecimento de restos de comida, guloseimas;

-> Mudar hábitos alimentares que contribuam à obesidade;

-> Após conseguir a perda desejada, controlar a ingestão para manter o peso corporal ideal;

-> Evitar aumento de peso através do exercício regular contínuo e controle da ingestão calórica.

IMPORTANTE: O resultado do tratamento dependerá muito do empenho do dono. Muitas vezes os bichinhos, que de burros não tem nada, vão fazer dramas com olhares irresistíveis e podem ficar mais nervosos… é importante que você, pai/mãe, resista pelo bem do bichinho.

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