Otite canina – como reconhecer, tratar e prevenir.

Otite canina

A otite canina é, certamente, uma das afecções mais comuns em cães. Trata-se de uma inflamação muitas vezes acompanhada de infecção que acomete o ouvido e que provoca, certamente, muito desconforto e dor aos pets.

As otites podem ser causadas por infecções bacterianas, infecções fúngicas, corpos estranhos (água durante o banho, pêlos), alergias (dermatite atópica ou hipersensibilidade alimentar), doenças hormonais, presença de ácaros (Demodex ou Otodectes cynotis), traumatismos e a própria conformação auricular (tipo de orelha).   

Os tipos de otite canina

A otite canina pode ter várias causas e afetar partes diferentes do ouvido dos cães. Ela é denominada otite externa, otite média ou otite interna, variando de acordo com o local prejudicado pelo problema.

Otite Externa

Fonte. Blog PetCare

A otite externa é geralmente definida como inflamação do canal externo do ouvido. Otites representam 8 a 15% dos casos atendidos na prática clínica veterinária no Brasil, e a otite externa crônica corresponde até 76,7% dos casos de otopatias em cães. Os sinais clínicos observados são dor regional, formação de exsudato e/ou cerúmen em excesso, além do balançar constante da cabeça.

Possui etiologia multifatorial, sendo isolados vários agentes no conduto auditivo doente, como bactérias, fungos e ácaros.

Otite Média

Trata-se da inflamação das estruturas do ouvido médio, ou seja, parte do ouvido que inclui membranas e cavidades timpânicas, tuba auditiva, ossículos auditivos e nervo timpânico. É, geralmente, uma sequela da otite externa crônica.

Os sinais mais comuns são similares à otite canina externa, ou seja, agitação da cabeça, esfregamento dos ouvidos com as patas, corrimento a partir do canal auditivo externo e sensibilidade.

Otite Interna

Inflamação das estruturas do ouvido interno, ou seja, cóclea, vestíbulo e os canais semicirculares. Pode ser uma extensão da otite média.

Etiologia da otite canina

As causas de infecções do conduto auditivo podem ser: bactérias, fungos ou leveduras, parasitas, corpos estranhos, traumatismos, pólipos e até mesmo neoplasias.

Infecção bacteriana

Quando causada por bactérias, a otite normalmente apresenta pus. Portanto, neste caso, deve-se tratar com antibióticos sistêmicos e medicamentos tópicos (aplicados na região). Normalmente as bactérias mais encontradas nos exames laboratoriais são Staphylococcus e Streptococcus spp.

Fungos e leveduras

Fungos e leveduras são, sem dúvida, os causadores mais comuns de otite canina. Um dos sintomas mais característico é certamente o excesso de cera com cheiro adocicado. Normalmente, os agentes causadores deste tipo de otite são a  Malassezia pachydermatis e Aspergillus spp.

Parasitas

Parasitas como o ácaro Otodectes cynotis, são os agentes que ajudam, por certo, a desencadear esse tipo de otite.

Outros fatores

Além dos fatores mencionados acima, traumas, alergias, tumores, questões hormonais e a presença de algum corpo estranho no ouvido do animal também podem influenciar no aparecimento da otite canina.

Os principais sinais clínicos são:

Agitação da cabeça;

Prurido intenso nas orelhas;

Dor na região das orelhas e cabeça;

Mau cheiro;

Alterações comportamentais (irritabilidade);

Perda de audição.

Fatores Predisponentes:

Formato do canal auditivo;

Umidade no local;

Excesso de pelos nas orelhas;

Predisposição racial;

Desequilíbrios endócrinos;

Doenças obstrutivas (câncer, pólipos, etc).

Predisposição genética:

Raças com orelhas grandes, caídas e peludas têm maior predisposição. Portanto, raças como Cocker Spaniel, Teckel, Basset Hound, Labrador, Golden, Setter, Daschund costumam ter este distúrbio com maior frequência.

Tratamento:

Primeiramente, consulte um médico veterinário. Jamais chute um diagnóstico e tratamento em casa sem orientação de um profissional, já que a doença, caso não seja tratada adequadamente pode evoluir e causar surdez, além de outros problemas.

O tratamento normalmente consiste em:

-Limpeza do canal com produtos específicos. Entretanto, dependendo do acúmulo de material e do grau de dor do animal, o veterinário poderá realizar uma limpeza no próprio consultório com sedação.

-Aplicação de soluções com antimicóticos, antibióticos e analgésicos específicos para a condição do cachorro. Por isso, somente depois de uma consulta o veterinário terá condições de indicar o produto com o melhor princípio ativo para o caso específico!

-Caso necessário, o veterinário terá que receitar medicamentos por via oral como analgésicos, anti-inflamatórios ou antibióticos.

Cuidados para evitar que o problema volte:

-Ao dar banho no peludo, tome cuidado para que não entre água no canal auditivo. Por isso, pode ser utilizado um pouco de algodão hidrófilo que deverá ser retirado após o banho. Aproveite para, além disso, passar delicadamente uma toalha na região para deixar o local bem seco.

 

-Cuidado com cães que adoram água e que, por isso, não perdem oportunidade de pular na água e nadar. Portanto, seque bem o pelo e as orelhas para evitar aparecimento de fungos e outros problemas de pele.

-Limpar é necessário, mas excesso de limpeza também pode ser prejudicial. O ouvido precisa, de fato, de uma camada de óleo da própria pele para se manter protegida. Limpar semanalmente com algodão e produtos específicos pode, portanto, sensibilizar muito a região e conseqüentemente, acabar criando portas de entrada para bactérias.

-A maioria dos cachorros ADORA ficar para fora da janela do carro em movimento. O ventinho no focinho é, sem dúvida, irresistível para eles! Mas esse ventinho pode também provocar otite. Fique de olho no seu pet para entrar com tratamento o quanto antes caso apresente os sintomas citados acima.

IMPORTANTE: O tratamento da otite deve ser, enfim, levado muito à sério e feito corretamente. Casos não tratados, ou em que o tratamento é abandonado pela metade, podem evoluir para a surdez ou mesmo uma infecção generalizada.

Referências Bibliográficas:

BIRCHARD, S. J; SHERDING, R. G. Manual Saunders: clínica de pequenos animais. Roca, São Paulo, 2º edição; 2003.

LINZMEIER, G.L.; ENDO, R.M. Otite Externa. Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária. N12; 2009.

 

Valentina Vecchi

Médica veterinária, com especialização em Clinica e Cirurgia e Acupuntura Veterinária. Atualmente, atende com acupuntura em São Paulo e escreve para seus blogs pessoais e outros sites.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

www.000webhost.com